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Da maturidade austera à jovialidade despojada, eis os homens da Prada

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De olho nas coleções masculinas apresentadas durante a última temporada de Milão, me chamou atenção a coleção da Prada. Não foi nada por causa da coleção em si, pois como muito pouco variam as roupas feitas para os homens, logo não se poderia esperar ver criações com grandes inovações. Na verdade o que se destacou nesta última coleção da Prada foi, ao meu ver, o foco que Miuccia procurou dar ao homem.

Se na coleção de inverno passada a estilista lançou mão de homens de meia idade, inclusive com a presença de alguns artistas de cinema em sua passarela, para valorizar a imagem de um homem maduro, austero, sóbrio e poderoso, para o inverno de 2013 a Prada levou muita jovialidade e looks coloridos para sua passarela.

Modelos com rostinho jovial e com um certo ar de desleixo em suas produções, parecem transparecer que, desta vez, a grife quer investir entre o seu público consumidor na imagem de um homem jovem, moderno e urbano, o típico homem das megalópoles mundiais, com ritmos de vida apressados mas que nem por isso abrem mão do bom gosto na hora de se vestir. Esse é o atual homem da Prada.

Um homem de aparência madura e austera, vestidos com looks sérios e de tons sóbrios. Esta foi a imagem masculina da Prada em seu inverno/2012.

Um homem de aparência madura e austera, vestidos com looks sérios e de tons sóbrios. Esta foi a imagem masculina da Prada em seu inverno/2012.

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Jovialidade. Esta parece ser a característica principal que Miuccia Prada pretendeu imprimir à figura masculina de sua coleção de inverno/2013. O homem aparece mais despojado e ousado nas cores das roupas, tudo sem perder a elegância.

Fotos: Reprodução

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A estampa engraçadinha da Prada é tendência no verão europeu

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A estampa “animadinha” da coleção verão/2012 da Prada ganha as ruas da Europa.

As idéias apresentadas aos homens nas semanas de moda para o verão europeu começam a aparecer nas ruas e cada um faz as devidas adaptações, conforme o gosto pessoal. Na verdade, cada país tem suas peculiaridades na moda, principalmente a masculina, mas não é novidade pra ninguém que há marcas que “ditam” mesmo o que se vai querer usar e a Prada é uma dessas marcas.

Como exemplo, vale citar a coleção de verão 2011/2012 da Prada, uma das mais “inspiradoras” para o resto do mundo. Lojas de departamentos fizeram cópias fiéis das estampas que a grife desfilou, deixando muita gente incrédula e louca para adquirir uma peça. Quer mais um exemplo? Cito também o color block. Do guarda roupas feminino ao masculino, foi impossível não se render à tendência, apresentada pela Prada em sua coleção de verão de 2007/2008 (fotos abaixo) e, mais recentemente, pela Gucci em sua coleção masculina de verão/2013. Mais uma prova de que as temporadas passam e aquilo que foi tendência sempre volta.

Pois bem. Não sei se é possível afirmar o fim do color block para os homens, mas o fato é que ares vindos diretamente da europa apontam que as estampas animadas, tipo essa que o menino da foto principal deste post usa, promete ser o grande hype. A estamparia é bem colorida, com miniaturas espaçadas em fundo branco. Lembra também desenhos feitos à mão. Ela foi vista na temporada masculina de verão/2012 e logo ganhou as ruas, como aliás aconteceu também com o color blocking, enchendo de cor as produções masculinas nas ruas.

E ainda que alguém ache que assim como as estampas tratadas neste post e as demais tendências que estão sempre a surgir (ou a ressurgir), são apenas cópias, imitações ou releituras, o certo é que se sabe que isso está cada vez mais normal na moda de hoje, e o fato é que no caso das estampas que seguem os mesmos motivos daquelas que a Prada mostrou em sua passarela masculina, já caiu nas graças do streetstyle e está ganhando outras milhares de versões por marcas de todo o mundo, tanto em roupas quanto em acessórios. Veja nas imagens abaixo:

Seja em roupas ou em acessórios, a estampa engraçadinha da Prada caiu no gosto dos homens europeus. Agora é questão de tempo para a idéia chegar por aqui também!

Ainda sobre a criatividade nos looks masculinos…

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No post que publiquei anteriormente a este, falei sobre o fato de a moda masculina não permitir muitas variações e que, por isso, os estilistas precisam investir fortemente nos detalhes a fim de apresentar, a cada estação, algo de novo para o público.

Pois bem, continuado a tratar desse assunto, busquei a partir das criações da Givenchy, John Galliano e Louis Vuitton, dar três exemplos de como os detalhes podem fazer toda a diferença em se tratando de moda masculina. Vamos lá ver?

Givenchy

O uso de retratos na estamparia de camisas e jaquetas, muitas vezes sobrepostas, chamaram a atenção na coleção da Givenchy para o Verão 2013. Essa estamparia não é algo usual, digamos assim, nas produções feitas para os homens e a maison conseguiu renovar peças clássicas do vestuário masculino, como camisas e jaquetas, através do uso de tal técnica. O resultado? Peças desejáveis!

John Galliano

A marca John Galliano aproveitou elementos do vestuário feminino para o verão dos homens, como os maxicolares e chapéus com temática floral. A estamparia foi outro ponto que marcou a coleção, mas como o foco aqui são os detalhes, os maxicolares e os chapéus é que merecem destaque!

Louis Vuitton

A Louis Vuitton também mostrou suas novidades e estas ficaram por conta das bolsas para os rapazes. Os acessórios da grife  costumam sempre aparecer entre os itens mais cobiçados da marca e desta vez não será diferente com bolsas de formas e cores bem ousadas para renovar o guarda-roupas masculino.

Fotos: Reprodução

Moda Masculina: se não é possível mudar muito, o jeito é investir nos detalhes.

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Sempre que publico um post sobre moda masculina aqui no blog, recorro ao fato de que tal moda tem como características marcantes a pouca variação, além de ser mais comedida e pouco aberta a novidades. Para quem assiste a cada temporada novas coleções masculinas serem lançadas, deve ficar se perguntando de onde vem (ainda) a inspiração para as criações.

Sendo assim, como falar em renovação no guarda-roupas do homem? Como transformar em novo e atual aquele mesmo terno visto hoje nas passarelas e que já apareceu em temporadas passadas? E o que dizer também das bermudas, das calças e das camisas? Assim, se é verdade que, no geral, o público masculino nem de longe acompanha a moda como o feminino, não é possível afirmar que a moda feita para os homens é, necessariamente, algo mais fácil de ser criado se comparada à feminina.

As coleções de verão/2013 desfiladas este mês na última temporada masculina em Milão mostraram o que têm de melhor. Milão possui a semana masculina mais importante do mundo e a moda apresentada lá influencia o que vai ser criado para os homens ao redor do mundo. Mas, o que tiveram de melhor essas coleções? A resposta passa por um ponto chave: o primor dos detalhes. Sim, os detalhes!

Se os looks masculinos não permitem grandes variações e extravagâncias, é a partir dos detalhes que se pode obter toda a diferença. Vale a pena citar alguns exemplos a partir do que as passarelas de Milão apresentaram ao mundo.

Vamos começar falando sobre cores?

Gucci, verão 2012/13: as cores aparecem isoladas compondo os looks.

Salvatore Ferragamo, verão 2012/13: a tendência color blocking não é algo novo, inclusive para coleções masculinas, mas essa mistura de cores em uma mesma produção foi a proposta da marca para alegrar as produções.

É possível falar em uma verdadeira explosão de cores. Elas apareceram misturadas no mesmo look ou isoladas, mas o certo é que estiveram lá presentes em cartelas de cores vibrantes. Cores que alguns podem considerar como femininas e tons fluo apresentadas como propostas para serem usadas no dia a dia.

Eis uma das novidades presentes nos detalhes, como foi dito anteriormente aqui. Se a modelagem dos looks não varia consideravelmente, a questão cor representa um detalhe que alegra os nosso olhos e enche de vibração e energia uma produção masculina que poderia ser apenas mais uma entre tantas outras já vistas.

Looks brilhosos para os homens?

À esquerda dois looks de Ermenegildo Zegna e à direita, duas criações da Burberry Prorsum. As marcas investiram fortemente no brilho metálico para vestir os homens.

Certamente, quando os primeiros looks da Burberry Prorsum entraram na passarela, o clima deve ter sido de estranhamento. É isso mesmo? Roupas em tons metálicos e brilhosos para os homens?

As marcas que apostaram nessa ideia, ao propor tons metalizados parecem querer quebrar com uma outra característica também marcante da moda masculina: o fato de a mesma normalmente apresentar uma elegância contida e, por vezes, monótona. Assim, por que não criar looks brilhosos para vestir os homens?

Looks monocromáticos: nem só de roupas coloridas vive o homem!

Looks full white de Bottega Veneta (os dois primeiros), Gucci e Ermenegildo Zegna, (os outros dois respectivamente).

Aquela mania de usar preto no inverno e branco no verão vem, primeiro de tudo, do fato que a cor branca, por refletir mais a luz, absorve menos o calor. Em segundo lugar, vem também de uma inspiração que combina com países que têm estações do ano bem definidas. Nestes, quando chega o sol e o calor, as vitrines ficam todas cheias de roupas em tons claros.

Desta vez, no entanto, a proposta branco total, dos pés à cabeça, pareceu conversar um pouco mais com a questão da monocromia dos looks, talvez, essa foi a forma encontrada por algumas marcas para fazer frente às cores e, também, para agradar àqueles que ainda não conseguem se sentir tão à vontade diante de certas novidades e, para estes, certamente que o uso de roupas coloridas não é ainda uma ideia muito bem vinda.

Fotos: Reprodução

Os homens do período pós recessão

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O consumidor masculino, que praticamente estava ausente no início da recessão que se abateu sobre os Estados Unidos e boa parte da Europa, está voltando a comprar novamente. Um bom sinal para a economia e uma excelente razão para a alegria dos comerciantes, pois esse consumidor não está apenas comprando ternos e camisas, mas também fazendo algo que as mulheres já fazem há anos: investindo em acessórios.

Pulseiras, bolsas, óculos, lenços, chapéus, guarda-chuvas, sapatos, pastas de mão (como as de estilo envelope), os homens estão adquirindo tantos acessórios que alguns analistas prevêem crescimento das vendas de roupas masculinas e acessórios durante os primeiros três meses deste ano. Para conseguir atrair homens com acessórios tradicionais de mulheres, alguns designers estão dando a esses acessórios nomes e estilos viris. A imagem de um homem produzido assim como o modelo do desfile de inverno 2012 de Michael Bastian (foto acima) já é uma realidade.

O retorno do consumidor masculino tem amplas conseqüências para a economia. As vendas no varejo despencaram durante a recessão, com vendas de vestuário masculino caindo quase duas vezes mais rápido que o feminino em 2009, segundo uma análise global de negócios da IBM Serviços sobre dados de varejo. As mulheres começaram a comprar novamente, o que ajudou a impulsionar a recuperação junto. Mas os homens, com as compras de acessórios, fizeram as vendas subir mais de 8 por cento, superando o crescimento das vendas feitas às mulheres.

No caso dos homens, os gastos com acessórios é que está fazendo toda a diferença: as vendas cresceram 14 por cento no último semestre de 2011, algo em torno de 6 bilhões de dólares, de acordo com a pesquisa de mercado NPD Group.

  

Looks da coleção de inverno/2012 da Burberry e a grande variedade de acessórios para encantar os consumidores masculinos

Para ilustrar essa realidade, modelos masculinos que desfilaram as coleções de inverno 2012 na Semana de Moda de Nova York, mostraram, nas passarelas, um belo retrato desse retorno dos homens ao consumo de acessórios. Grifes como a Burberry, levaram para a passarela homens usavando, entre outros adornos, lenços, boinas, bolsas, guarda-chuvas, entre outros (fotos acima).

Ainda sobre a Burberry, nas lojas da marca as vendas de acessórios masculinos aumentou cerca de 50 por cento nos seis meses até setembro de 2011, em comparação com o mesmo período um ano atrás. Executivos da marca dizem que as vendas globais de bens dos homens dobrou, para 200 milhões de dólares em 2011 e que o cenário esperado para este ano é que as vendas dobrem, chegando a 400 milhões de dólares.

  

Lenços, óculos e sapatos entre os acessórios que a Prada desfilou (as duas primeiras fotos à esquerda) e o boné e os óculos escuros da Dior Homme inverno/2012

Sobre esse grande boom do consumo masculino por acessórios, designers de jóias e executivos da moda dizem que a tendência vem principalmente da Itália e Japão, onde os homens costumam apostar nos adornos para compor seus looks com indiferença. Por outro lado, e certamente que não podem deixar de ser citados, os blogs de moda masculina e de street style, em particular, influenciam consideravelmente os homens fazendo-os adotar rapidamente as tendências vistas mundo a fora.

Com um cenário tão animador assim, não é difícil de se entender os motivos que têm levado os editoriais de moda e as grifes a investir pesadamente no seguimento da moda masculina. Parece que após o desânimo provocado pela recessão os homens estão se redescobrindo e valorizando seus visuais. Sim, nós podemos!

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O post acima foi adaptado a partir de um interessante artigo publicado pelo The New York Times, com o título “Men Step Out of the Recession, Bag on Hip, Bracelet on Wrist  que tratava do retorno dos homens ao mercado consumidor de moda, sobretudo ao de acessórios. A partir daí, e daquilo que muitas grifes voltadas aos homens tem mostrado em suas passarelas, vi que realmente essa é uma realidade, só não sabia do impacto que esse retorno tem causado na economia.

Imagens: Reprodução

Alexandre Herchcovitch, coleção masculina de inverno/2012

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O desfile da coleção masculina de inverno 2012 de Alexandre Hechcovitch apresentada na última terça-feira, último dia de SPFW, foi mais um daqueles momentos úncos proporcionados pelo estilista que nos convida a cada coleção a pensar sobre moda e os rumos da mesma na contemporaneidade.

As influências judaicas, provenientes dos 12 anos em que Alexandre estudou em um colégio ortodoxo onde tinha aulas de hebraico com rabinos e estudava em classes somente para meninos, parecem ter sido marcantes nesta coleção. Mesmo não seguindo a tradição ortodoxa, Herchcovitch tem muita proximidade com a cultura judaica e para ele esse é um tema que ia mesmo surgir em algum momento em seu trabalho. O que tudo mostra, é que tal momento chegou e veio sabiamente carregado de referências, embora concebido com certo distanciamento, que resultou em uma das imagens mais fortes da temporada.

Herchcovitch desconstruiu a roupa super restrita dos ortodoxos e incorporou elementos da religião judaica e adereços de reza à sua alfaiataria. Esses elementos estiveram bem presentes em detalhes tais como:

  • As listras e os tons da coleção remetem ao Talit, o xale que os homens usam para rezar.
  • As mangas e luvas listradas de preto vêm do Tefilin, amuleto de couro que é amarrado no braço e na mão diariamente na hora da reza. Desde o barmitzvah os meninos passam a usar.
  • Os cintos são uma referência ao Gartel, faixa que se usa por cima dos casacões de inverno.
  • Alguns looks ainda levam o Shtraimel, tradicional chapéu de pele que faz parte do costume ortodoxo.
  • A série de looks brancos remete ao Na Nach, uma ramificação do judaísmo ortodoxo que não se vê muito no Brasil.

Igualmente às coleções masculina de inverno/2010 com suas referências ao medo, morte e sedução e a de inverno/2011 que remetia a um mundo futurista e apocalíptico, as quais, à primeira vista, pareciam ser altamente conceituais,  a de inverno/2012 também engana mas acaba revelando, através de um olhar mais apurado, ser comercial. É que por trás das sopreposições e das referências às vestes tradicionais judaicas, podemos encontrar bermudas, paletós, casacos e calças com a essência das criações de Herchcovitch e com a modelagem que define os próximos padrões da roupa masculina contemporânea.

Fotos: Reprodução