Jornalistas de moda x Blogueiras de moda: tudo o que importa é somente aparecer?

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Anônimos2

Fotógrafos se acoovelam nos Jardins das Tulieres, em Paris. Seja famoso ou anônimo, todos querem os seus 15 minutinhos de fama.

Recentemente a toda poderosa editora de moda do “The New York Times” (NYT), Suzy Menkes,  lançou no ar uma polêmica acerca da cobertura jornalística de moda na era dominada pelos blogs e seus (suas) blogueiros(as).

Ao meu ver a opinião expressada por Menkes nem é, de fato, uma polêmica. Nem mesmo ela é a primeira pessoa a tecer críticas sobre os blogs de moda e os chamados “fashionistas”. Basta lembrarmos de Franca Sozzani, editora da Vogue Italia verbalizando que “odeia fashionistas“.

Na verdade, em um mundo como o da moda onde o apelo à imagem é extremado, não é difícil entender como tantas pessoas usam desse universo (o da moda) para tentar aparecer, o que vale para a imprensa e blogueiros/blogueiras de moda. É fácil entender como nesse meio os egos s inflamam com facilidade. Você ser convidado para um desfile, ser clicado por conta da roupa que você está usando, é tudo muito tentador.

Famosas

Time de famosas. Da esquerda para a direita: Elena Perminova, Michelle Harper, Natalie Joos, Miroslava Duma, Anya Ziourova, Anna Dello Russo e Giovanna Battaglia.

Em seu texto escrito para a “T Magazine“, do NYT, intitulado de “The Circus of Fashion“, Suzi Menkes relembra uma época em que os jornalistas de moda eram chamados de “corvos pretos”, por se apresentarem sempre vestidos de preto e chamando a atenção do público nas portas dos locais onde aconteciam os desfiles. Ao fazer a comparação com os dias atuais, Menkes cita mais um tipo de ave, não para descrever os jornalistas especializados em moda, mas sim os blogueiros/blogueiras que postam e escrevem sobre o assunto. A estes a editora deu o nome de “pavões”, em uma citação ao que acontece hoje. “Atualmente, as pessoas que se aglomeram do lado de fora dos desfiles são mais pavões do que corvos. Elas posam em seus vestidos de padronagens múltiplas com plataformas ou botas que sobem até as coxas”.

Lembram do caso da menina Tavi Gevinson em sua aparição na primeira fila do desfile de alta costura 2009/2010 da Dior em que a blogueira compareceu usando um enorme laço como acessório de cabeça? Na época Tavi sentiu a fúria de uma parte da imprensa de moda que sentiu ofendida por não estar ocupando a primeira fila do local de desfile e por ainda ter tido a visão dos looks comprometida pelo laçarote usado pela garota. Deu o que falar…

Anna Dello Russo e o blogueiro Bryanboy: no quesito look extravagante os dois são páreo duro.

Anna Dello Russo e o blogueiro Bryanboy: no quesito look extravagante os dois são páreo duro.

É toda essa confusão, esse exibicionismo extremado a que Menkes se refere ao falar do tal “fashion circus”, ou seja, ela procura criticar a confusão que virou a porta de um desfile, onde dezenas de blogueiras em busca de um clique praticamente se digladiam com as já famosas e que posam para os muitos fotógrafos que se aglomeram por ali. Nesse universo até a também editora da Vogue Nippon, Anna Dello Russo, e o blogueiro Bryanboy aparecem por causarem quando surgem aos locais de desfiles “montados” em seus figurinos exuberantes e pra lá de chamativos.

Enfim, polêmicas a parte o certo é que a disputa entre famosos e anônimos vai continuar acontecendo quando se trata dos eventos de moda. Não adianta querer apontar certo ou errado nisso. Há espaço para todos e

Sobre L. Borges

Blogueiro ligado em moda e estilo e jornalista nas horas vagas (RSSSSS). A idéia de criar e manter um blog de moda, O "The Fashion View" remete a um projeto da época do curso de jornalismo na faculdade de comunicação social e através dele tenho um canal através do qual posso expressar, livre e independentemente, minhas idéias e impressões acerca de diversos assuntos relacionados ao universo da MODA e que são de meu interesse. Como profissional especializado no meio, vejo e admiro a moda como uma forma incrível de comunicação não verbal que, no atual contexto da chamada pós-modernidade, tornou-se mais do que nunca capaz de revelar gostos, sensações, sexualidade, atitude, personalidade, poder, enfim, a nossa própria identidade, afinal, quem foi que disse que moda diz respeito apenas a roupas e a futilidades?!?

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