Nota

Tenho uma admiração enorme por Ronaldo Fraga, e muito disso se deve por sua postura como designer, se colocando à frente do seu tempo, olhando para o passado com genialidade e sempre conseguindo nos fascinar com sua genialidade. Ele que até há bem pouco tempo era tachado por “críticos” como sendo o criador de uma moda teatral, hoje, com os rumos definidos de um caminho absolutamente novo que o mundo da moda vai ter que percorrer, é considerado, cada vez mais, um exemplo de sabedoria, força e identidade.

Ronaldo não se coloca em disputas de egos, algo muito típico do mundo fashion, e não compartilha com a idéia de um progresso conseguido a qualquer custo. Ao contrário, é adepto da construção social. Ele pratica o desafio, levando sua moda às últimas conseqüências, contando belas histórias de outros, e escrevendo a própria história rompendo os limites do possível, olhando as coisas que ainda ninguém viu (ou se nega a ver).

Ainda nos anos 90, quando apresentou sua primeira coleção no Brasil, chamada “Eu amo coração de galinha”, no Phytoervas Fashion, Fraga disse que fazia “funny wear e já se servia de técnicas de alfaiataria para “refletir essa identidade de quem somos nós enquanto brasileiros”, instigando a individualidade no vestir ludicamente, algo tão caro às suas coleções e justamente a característica que as tornam tão especiais e únicas. Exemplos disso em suas criações são vários e cito aqui dois deles: os looks inspirados na poesia de Carlos Drummond de Andrade e Guimarães Rosa e a interpretação que o designer deu à arte geométrica de Athos Bulcão apresentada em sua coleção de inverno/2011 na SPFW.

Sua decisão em não fazer parte do line up da próxima edição do São Paulo Fashion Week, a ser realizado entre os dias 19 e 24 de janeiro de 2012, o evento mais importante da moda brasileira na atualidade pegou a todos de surpresa, deixando a muitos dos amantes da arte criada por Fraga meio cabisbaixos. Como de praxe, Ronaldo Fraga sempre escreve os releases das suas coleções. Texto sempre carregado de sentimento e, como não podia deixar de ser, com o texto desta terça-feira (13.12) não foi diferente.

O mestre das agulhas e linhas destacou em seu título a indagação: “A moda acabou?”. Ele mesmo responde a tal pergunta: “A moda acabou pelo menos da forma como a conhecíamos. O desenho de um novo tempo nos pede novas funções para roupas, corpos, móveis e imóveis”. Assim o genial criador se despede da próxima edição do SPFW, nos deixando cheios de esperança que esse afastamento seja apenas momentaneamente.

Quem já teve o privilégio de assistir a um desfile dele, sabe o quanto Ronaldo fará falta, porque todas as vezes que saímos da sala de desfiles ficamos surpresos e com a sensação de que amar o mundo da moda vale a pena, pois nem tudo é igual em termos de criação e estilo.

Fotos: Reprodução

A moda acabou?

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