O crossdressing de Marc Jacobs para a Industrie Magazine e a continuidade das discussões sobre os gêneros na moda

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Ao ver a imagem de Marc Jacobs todo montado na capa da revista Industrie Magazine (foto acima) imediatamente me vi mais uma vez remetido às questões de gênero no universo da moda. Apesar de não ser essa a primeira vez que Marc se monta para uma revista, desta vez para a Industrie Magazine ele conseguiu esquentar ainda mais as discussões acerca dos gêneros, vestido de mulher para a capa e o recheio da publicação em fotos de Patrick Demarchelier e styling assinado por Katie Grand.

A discussão de gêneros já entrou, e não é de hoje, para a pauta fashion. Para exemplificar vale citar a campanha de outuno-inverno 2009 de Jean Paul Gaultier com a top Raquel Zimmermann “brincando” de ser menino e menina, o editorial “Come fere et soeur” publicado na edição de abril/2009 da Vogue Paris com a top Anna Selezneva,  James Franco na capa da Candy Magazine – revista especializada em crossdressing – os editoriais de Nicola Formichetti para a Arena+Homme e Hercules Magazine, a Vogue Turquia com o editorial “Androjen” onde o modelo Andrej Pejic que chega a ser a perfeita tradução do que significa “androginia” na atualidade, a campanha de inverno/2010 da Givenchy com a top transex brasileira Lea T., bem como o editorial “Venus in Fur” da Vogue Italia de novembro/2010. Após tudo isso foi a vez de Marc Jacobs, um dos designers mais influentes e festejados no mundo da moda se travestir de Mrs. Jacobs com muita pose e carão na capa e recheio da Industrie Magazine – publicação voltada aos bastidores dos negócios da moda.

O trabalho de Jacobs para a Industrie parece personificar de vez para o mainstream a vontade fashion que é a tônica do momento: liberdade. Mas isso também não é novidade, convenhamos. A diferença é que essa “nova” onda tranny acaba por representar aquilo que por muito tempo foi considerado como unissex (comum a homens e mulheres), propondo uma boa dose de transgressão, ou seja, que a apropriação de estilos e looks masculinos e femininos por pessoas de ambos os sexos não se resume somente ao modo de se vestir, mas sim, a todo um life style.

Momentos na moda chegam e vão embora em uma virada de estação, porém, esta nova estética e modo atualíssimos de se discutir os gêneros (algo como uma tendência) promete render belos e incríveis editoriais que certamente buscarão dar enfoques novos ao tema. Só resta saber se tal “tendência” ficará restrita apenas às páginas das revistas ou se poderá ganhar as ruas. Vamos aguardar para ver, pois se a discussão é muito interessante, os preconceitos ainda são fortes.

Raquel Zimmermann de menino e menina na campanha de outono-inverno/09 de Jean Paull Gaultier

 

Da mesma forma a top Anna Selezneva fez na edição de abril/09 da Vogue Paris

 

James Franco tirando “onda” em seu momento mulher para a Candy Magazine

 

A transex brasileira Amanda Lepore para a Hercules Magazine

 

O modelo Andrej Pejic na Vogue Turquia

 

A campanha de inverno 2010 da Givenchy com a top transexual brasileira Lea T.

O editorial “Venus in fur” da edição de novembro/2010 da Vogue Italia

 

Marc Jacobs no recheio da Industrie Magazine esquentando mais ainda a discussão sobre os gêneros na moda

 

Fotos: Reprodução

Sobre L. Borges

Blogueiro ligado em moda e estilo e jornalista nas horas vagas (RSSSSS). A idéia de criar e manter um blog de moda, O "The Fashion View" remete a um projeto da época do curso de jornalismo na faculdade de comunicação social e através dele tenho um canal através do qual posso expressar, livre e independentemente, minhas idéias e impressões acerca de diversos assuntos relacionados ao universo da MODA e que são de meu interesse. Como profissional especializado no meio, vejo e admiro a moda como uma forma incrível de comunicação não verbal que, no atual contexto da chamada pós-modernidade, tornou-se mais do que nunca capaz de revelar gostos, sensações, sexualidade, atitude, personalidade, poder, enfim, a nossa própria identidade, afinal, quem foi que disse que moda diz respeito apenas a roupas e a futilidades?!?

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  1. Pingback: Ausländer encerra o Fashion Rio e trás à tona a discussão sobre a tal “Geração Y” « :: The Fashion View ::

  2. Pingback: Marc Jacobs para a Numéro Tokio, jan/fev 2011 « :: The Fashion View ::

  3. A arte, e a moda, como uma das variantes da arte, retrata (entre outras coisas) a vida. Neste caso isso é muito claro. Vivemos numa época de mudança, de abertura de mentalidades, em que as “opções” sexuais começam a deixar de ser tabu. Na minha opinião, é bom. A discussão traz a reflexão e, consequentemente, a mudança de atitudes, a aceitação do outro como pessoa, num caminho para uma sociedade mais justa e feliz (espero eu). 😉

    http://www.in-tensa-mente.blogspot.com

  4. Concordo com vc Luan. Toda essa onda que aborda e trás à tona a discussão sobre os gêneros sexuais na moda é sempre bem vinda e resulta em uma discussão muito rica de se ter.
    Valeu por mais uma visita!

  5. Isso me fez pensar na imporancia da moda para documentação de momentos históricos, discussão de temas não abordados antes que tanto percebemos qnd estamos lendo história da moda. Esse é realmente um momento marcante da sociedade e, claro, a industria de moda não poderia deixar de representar.

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