McQueen e uma instigante coleção de inverno

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A terça-feira (10.03) em Paris não reservou ao público presente apenas a maravilhosa apresentação da coleção da Chanel, outro grande momento foi representado pelo dramático e instigante desfile de Alexander McQueen, arrancando elogios e críticas de vários editores de moda por sua performance criativa, tanto quanto a dos estilistas japoneses, cujas coleções foram comentadas anteriorente aqui.

Fazendo uma clara referência ao momento perturbador causado pela crise econômica global e à necessidade de nos adequarmos aos momentos difíceis, a coleção de inverno de McQueen foi desfilada em uma passarela decorada por pedaços de cenários de seus desfiles anteriores, evocando a reciclagem, evocação essa que estava presente também no visual do cabelo das modelos, enfeitados com latas de refrigerante.

McQueen se propôs a fazer, nesta coleção, um retorno à moda do passado, através de referência a Audrey Hepburn, ao famoso New Look da Dior, bem como aos tradicionais tweeds da Maison Chanel, todas essas referências imortalizadas na moda. Sua coleção começou pelos looks em tweed, passando pelo couro e terminando com vestidos emplumados, causando uma perturbadora confusão (proposital?) nas cabeças já cansadas pela discussão e pelos medos da crise financeira.

Segundo o própio estilista em entrevista ao WWD, ” A crise não é culpa minha. Tenho que ser que eu sou. É difícil. É o velho McQueen, o McQueen agressivo“, declarou. Já à  jornalista Suzy Menkes, do International Herald Tribune ele definiu o seu desfile como: “Uma irônica e ilusória exploração ao conceito de reinvenção“. Elogios também fizeram parte dos comentários de Eric Wilson, para o The New York Times.

Elogios a parte, a coleção de McQueen não foi bem vista por todos. Alguns criticaram a sua coleção taxando-a de misógina e pouco comercial.

Óbvio! Comercial é a última coisa de que se pode falar desta coleção de McQueen, que fez uma bela demonstração de criatividade brincando com o lado lúdico do vestuário e nos fazendo repensar conceitos, bem como através de uma metalinguagem, nos levando a repensar a própria moda.

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Fotos: Agência AFP e Style.com

Sobre L. Borges

Blogueiro ligado em moda e estilo e jornalista nas horas vagas (RSSSSS). A idéia de criar e manter um blog de moda, O "The Fashion View" remete a um projeto da época do curso de jornalismo na faculdade de comunicação social e através dele tenho um canal através do qual posso expressar, livre e independentemente, minhas idéias e impressões acerca de diversos assuntos relacionados ao universo da MODA e que são de meu interesse. Como profissional especializado no meio, vejo e admiro a moda como uma forma incrível de comunicação não verbal que, no atual contexto da chamada pós-modernidade, tornou-se mais do que nunca capaz de revelar gostos, sensações, sexualidade, atitude, personalidade, poder, enfim, a nossa própria identidade, afinal, quem foi que disse que moda diz respeito apenas a roupas e a futilidades?!?

Uma resposta »

  1. Bem irreverente mesmo..o desfile me chamou muito a atenção.
    Quebrou os padrões de uma forma bem artística!
    Super criativo🙂

    Beijão.

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