O site da Vogue Paris apontou em julho deste ano a tendência dos “bracelets brésiliens”, aquelas pulseiras de pano ou feitas com miçangas, de aspecto bem artesanal e que podem ser encontradas até mesmo nos camelôs dos grandes centros de comércio popular.
Super tendência, essas pulseiras despontaram como o novo hi-lo da temporada e a atração sobre elas é fácil de explicar: corajosamente multicoloridas, as peças ainda têm grafismos e texturas artesanais que dão a dose certa de etnia a um look de verão. Ainda não aderiu? Então não perca tempo e invista já nessa idéia!
A discussão sobre a carreira de modelo é um assunto delicado e que vira e mexe está em pauta. Além de ser uma profissão onde a rotatividade é enorme (a top de hoje pode não mais o ser amanhã etc) é uma profissão onde as meninas começam com 15 anos e, ao chegar perto dos 30, se não tiverem uma carreira bem administrada, precisam voltar seus focos para outras atividades.
E ao pensar que uma menina de 15 anos (para muitos uma criança ainda), consiga percorrer o sonho das passarelas, existem sacríficos que se mostram quase que obrigatórios: os estudos ficam para segundo plano, a adolescência passa sem ser aproveitada e, o mais grave, a saúde é maltratada na busca quase insana por uma aparência magra, cool para os padrões da indústria da moda. O que a maioria delas não sabe é que a profissão não é só glamour. Os salários no início da carreira não são astronômicos, há muita concorrência e muitos nãos são ouvidos pelas jovens, e se a ascensão por vezes é rápida, a queda também não costuma demorar.
Georgia May Jagger (à esquerda) e Daria Werbowy, respectivamente nas capas da Harper´s Bazaar e Vogue Paris (fevereiro/2012) representando o sonho dourado de muitas meninas que entram na carreira de modelo.
Assim, imaginar esse cenário para uma pessoa que está com quinze anos de idade, ainda no início da adolescência, pode parecer uma realidade dura demais para ser suportada e, de fato o é. O que pode ser feito para resguardar essas jovens de tal realidade? Os limites de faixa etária para a entrada de uma modelo no mercado da moda são válidos? Essas são discussões sem dúvida atuais e necessárias, considerando, sobretudo, o mercado internacional, onde meninas de 14 anos já aparecem ao lado de veteranas disputando os flashes e as atenções nas passarelas e no concorridíssimo mercado editorial.
Sobre essa discussão, o estilista Marc Jacobs a esquentou ao colocar na passarela de sua marca, durante a Semana de Moda de Nova York, pelo menos duas modelos menores de 16 anos, idade mínima recomendada (mas não obrigatória) pelo Conselho de Designers de Moda da América (CFDA), conselho do qual o próprio Jacobs faz parte.
Segundo o designer em declaração ao “The New York Times” sobre o seu casting, ele faz a apresentação do jeito que acha que ela deve ser feita e não do jeito que alguém lhe diga como ela tem que ser, e continuou afirmando que se os pais das modelos estão dispostos a deixa-las participar de um desfile, ele não enxerga motivos para que elas não subam na passarela. Marc Jacobs ainda lembrou do caso dos atores mirins, cujo trabalho em televisões e publicação de suas imagens em revistas são autorizadas e perfeitamente aceitas pelos seus pais.
Ondria Hardin (à esquerda) e Thairine Garcia na passarela de Marc Jacobs.
As duas modelos em questão, que renderam as discussões levantadas por Marc Jacobs, são a norte-americana Ondria Hardin, top da campanha de inverno 2011/12 da Prada, e a brasileira Thairine Garcia, ambas de 14 anos. De acordo com o “The New York Times”, a Ford, agência que representa as duas tops, divulgou um comunicado afirmando que as questões relativas à idade e à maturidade das modelos são levadas muito a sério, sendo que cada caso é trabalhado individualmente junto aos pais das meninas, para determinar se elas estão ou não prontas para a passarela. Será que tais pontos são tão cuidadosamente pensados mesmo?
Por aqui, nas duas semanas do calendário oficial da moda brasileira, o SPFW e o Fashion Rio, não é permitida a atuação de modelos menores de 16 anos. A Luminosidade, empresa por trás dos dois eventos, mesmo não sendo responsável pela contratação das modelos – o que é feito pelos estilistas diretamente com as agências — assinou em 2007 um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público se comprometendo a permitir a participação somente de modelos profissionais com idade igual ou superior a 16 anos.
Como disse no início deste post costuma ser recorrente. Prefiro não emitir minha opinião acerca do assunto. Há vários vieses envolvidos nessa questão e que precisam ser devidamente considerados. Mas e você, qual a sua opinião? Apenas a permissão dos pais é suficiente para uma menina de 14 anos? Que outras questões deveriam ser levadas em consideração?
As imagens das campanhas de inverno que vão estar nas páginas das principais revistas de moda em todo o mundo já começam a ser divulgadas. As mais recentes são da campanha de inverno/2012 da Chanel.
Com styling assinado por Carine Roitfeld, em um dos seus primeiros trabalhos desde que deixou o comando da Vogue francesa, nas fotos pode se ver a top Freja Beha, habituée das campanhas da maison e queridinha de Karl Lagerfeld (que aliás foi quem fotografou esta campanha). Ela aparece como uma gata, só que estilizada pela Chanel. As famosas camélias da grife formam a orelha da felina. Em outras, Freja posou com uma frase escrita na testa, com um véu de renda preto que cobre seu corpo, e com uma máscara com o icônico logo da da marca. São bem visíveis todos toques de Carine, conhecida pelas imagens sensuais e provocativas com que ela sempre encheu as página da Vogue Paris quando foi a editora chefe da revista.
Em tempo: por falar em Carine, a ex-editora disse que agora está representando um cliente secreto e que suas peças vão aparecer em um editorial para a W assinado pela própria Carine.
Editorial publicado na Vogue Japão, agosto/2011 e o clima sombrio e sexy
As edições de agosto das publicações de moda internacionais já estão começando a dar pinta pela net e nelas já é possível ter uma idéia de como vai ser tratado o inverno/2011. Separei aqui algumas das que mais me agradaram, entre as quais as Vogue Paris, Alemã e Italia.
É possível notar nessas publicações um certo ar sombrio e sexy bem colocado nas imagens. Nada a ver com apelação e excessos, mas tudo a ver com bom gosto e um excelente trabalho de styling, além do próprio clima pesado que dominou a última temporada internacional de moda, sobretudo em Paris. Ilustrando isso vale citar as coleções daGivenchy, Louis Vuitton e Miu Miu e , sobretudo as duas primeiras, nas quais eu destaco a pegada fetichista presente no jogo de mostra e esconde a partir do uso de transparências estrategicamente usadas em detalhes como vimos em alguns looks das coleções daquelas grifes. Ressalto também o aspecto austero, duro e, de certa forma, masculina, em algumas das criações da Givenchy e Louis Vuitton.
Looks das coleções de inverno/11 da Givenchy (à esquerda) e Louis Vuitton (à direita).
Transparências e couro em um interessante e sexy jogo fetichista
Desfile da coleção de inverno/11 da Louis Vuitton em Paris
Se é verdade que a moda reflete os tempos atuais, é de se compreender o fato de ela não andar assim tão glamourosa, mesmo com o recrudescimento do comércio de artigos de luxo pós crise econômica mundial de 2008, como citam alguns estudos. Mas também, para que pensar em glamour em tempos tão conturbados como os nossos, onde ditaduras de muitas décadas estão sendo destronadas do dia para a noite no Oriente Médio e onde gênios da moda como Gallianocaem em desgraça por seus excessos de auto-confiança e pileques?
Não é possível afirmar que tenha sido exatamente pelos motivos expostos acima que a última temporada foi assim tão única, apontando uma possível mudança na moda que de fato não ocorreu, tendo sido apenas sugerida pelos designers nas passarelas. Isso fica de certa forma bem clara quando nos remetemos à Balenciaga de outros tempos e suas formas estruturadas como armaduras, feitas para proteger quem as usasse das instabilidades e dúvidas que permeiam nossa realidade e imaginário na atualidade.
Editorial da Vogue Paris, agosto/2011: boas doses de austeridade e sensualidade
De forma deliciosamente irônica e até com boa dose de crítica, quem de certa forma conseguiu dar umas das mais interessantes interpretações acerca dos dias atuais foi Marc Jacobs na apresentação de sua coleção de inverno/2011. As modelos desfilando com chapéus amarrados por faixas na cabeça, a trilha sonora (Beautiful People, de Marilyn Manson) e o cenário (passarela toda espelhada com colunas alcochoadas em branco), espetacular!
Passando para Milão, se vimos uma grife de peso como a Prada desfilando todos os desejos consumistas femininos (animal prints, tons pastel, peles etc) em uma coleção delicada, cheia de frescor e naturalidade, de outro tivemos estilistas mais interessados em mostrar a dura realidade. À Prada coube a árdua, porém grata tarefa de nos fazer sonhar com um mundo a parte (thanksMiuccia!).
Editorial publicado na Vogue Italia, agosto/2011
Claudia Shiffer com ares de dominatrix em editorial da Vogue Alemã, agosto/2011
A procura por relações (nem sempre óbvias) entre a moda e a realidade é sempre uma tarefa árdua. Em tempos onde a velocidade domina tudo (até nossa forma de ver o mundo), não se deve esperar por novidades. Mais do que nunca a máxima que diz que “nada se cria e tudo se copia” tem feito sentido se aplicada a moda. Então, recriar, dar um novo enfoque àquilo que já fora desfilado em temporadas passadas continua valendo. Se o comprimento de uma saia ou de um vestido está maior agora é porque certamente esteve curto anteriormente, o que não significa dizer que houve uma necessidade imediata de se estabelecer um retorno aos looks mais comportados.
Contudo, para comprovar que nem tudo está perdido, Karl Lagerfeld conseguiu magistralmente traduzir os tempos atuais e os sentimentos. Ao levar para a passarela uma Chanel que desfilou em meio a um cenário sombrio e empoeirado, o kaiser expressou exatamente aquilo que ele afirmou: “o mundo é um lugar sombrio”. É sim monsieur Lagerfeld, o mundo é, ou melhor, tornou-se um lugar sombrio…