
Franca Sozzani, a toda poderosa editora-chefe da Vogue Italia, é uma dessas personas do mundo fashion que já se tornou meio que um mito, assim como as não menos poderosas Anna Wintour (Vogue US) e Anna Dello Russo (Vogue Nippon).
Conhecida por suas colocações diretas e, por vezes polêmicas, Franca Sozzani nunca passa em brancas nuvens, seja quando, por exemplo, afirmou que a Dior deveria repensar a demissão de John Galliano e recontratá-lo, seja quando afirmou em entrevista que Silvio Berlusconi passa a impressão de que toda a Itália é um grande cassino.
Fora as suas palavras, as capas de sua Vogue italiana também expressam esse gosto que Franca parece ter em provocar, colocando sempre nas capas da revista algum tema que, para a moda, é polêmico. Assim ocorreu, por exemplo em uma edição de 2008, com quatro capas diferentes e somente com modelos negras, com a edição de junho deste ano que veio apenas com tops plus size e, mais atrás, com uma edição de julho de 2005 com a top Linda Evangelista, clicada por Steven Meisel, usando óculos escuros e a cabeça enfaixada, em uma edição da revista que trouxe à tona a discussão sobre as cirurugias plásticas e as “loucuras” feitas pelas mulheres em busca da beleza a qualquer custo.


Capa da edição de junho/2011 com as modelos plus size e a capa da revista de julho/2005 com a top Linda Evangelista e a polêmica em torno das cirurgias plásticas
Em recente entrevista ao jornalista Eric Wilson, do “The New York Times”, Franca mais uma vez colocou para fora sua “metralhadora” e teceu comentários sobre diversos assuntos. Em um mundo globalizado e onde cada vez mais prevalece a instantaneidade permitida através da internet, ela discorreu acerca do atual padrão de beleza das modelos, e disse que não está tentando provocar ao colocar modelos negras na capa de uma revista de moda, mas sim quebrando com o que, segundo ela, é sempre igual. Para Franca Sozzani, “Moda é experimentação; é sempre excêntrica. É quebrar regras“. Mais adiante ela revelou estar entediada em ver sempre os mesmos rostos nas publicações de moda. “Todos pareciam iguais. Ao fazer todas as garotas iguais – loiras, olhos azuis, pernas longas – ao final, todas as roupas parecem iguais“.
Na mesma entrevista, falando sobre a velocidade da propagação de tudo aquilo que se faz ou diz, Sozzani critica dizendo que “A internet é tão rápida. Às vezes eu digo que eu acho que elegância é muito entediante, ou que eu odeio fashionistas e os jornais pegam uma frase e dizem só aquilo. Não é que eu acordo e digo ‘Eu odeio fashionistas’, mas de fato eu odeio fashionistas”, encerra polemizando mais uma vez a célebre editora da Vogue Italia.
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