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As editoras de moda são, de fato, as novas top models?

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Carine Roitfeld: ela sempre arrassa e atrai a atenção dos fotógrafos, loucos por um clic.

Parece que já se foi o tempo em que eram as top models que lançavam tendências e influenciavam diretamente o público consumidor na hora de comprar uma peça desta ou daquela grife. O papel das editoras de moda atualmente está bem acima da simples direção das publicações de moda que as mesmas editam. Essas mulheres, poderosas como poucas, em muitos casos parecem incorporar a alma das revistas para as quais trabalham. Seja por uma estratégia de auto-promoção, seja por vaidade (e disso o mundo fashion está beeem cheio!), o certo é que algumas editoras estão faturando alto em cima de sua própria imagem e tudo o que elas vestem em suas aparições públicas causam impacto e influência direta sobre aquilo que o público deseja. Exemplos disso? Vários! Vamos lá conferir?

Vou começar por Franca Sozzani, editora da Vogue Italia. Após ter declarado que odeia fashionistas, Sozzani não só ganhou páginas em revistas e muitos posts em blogs de moda ao redor de todo o planeta fashion, como conseguiu obter um certo incômodo junto à mídia ligada ao mundo da moda, da qual ela mesma faz parte. Um comportamento desse tipo já é meio que esperado de alguém como Franca Sozzani. Ela é conhecida mesmo por suas declarações bombásticas (marketing pessoal? Quem sabe?) e isso só serve para deixá-la ainda mais em evidência e para que tudo o que ela venha a dizer chame a atenção da mídia.

Mas nem só de declarações polêmicas vivem as editoras de moda. Elas sempre conseguem traduzir as tendências e as novidades para o cotidiano de revistas e cada vez mais as suas aprovações são pontos cruciais seja na carreira de um estilista, stylist, fotógrafo ou de uma modelo. Tudo o que elas vestem causa impacto entre os leitores e fãs de moda. Então, por que não utilizar todo esse conhecimento e informação que possuem e lucrar com isso? Afinal, moda partindo de quem entende do assunto não pode dar errado, certo?

Um bom exemplo desse impacto causado nas pessoas pela imagem que uma editora demonstra é o caso de Anna Dello Russo (Vogue Nippon) e Carine Roitfeld (ex-Vogue Paris). Verdadeiros fenômenos da mídia, as duas vendem produtos e esquentam sites e blogs. Suas aparições em público, sobretudo nas semanas de moda, sempre rendem excelentes posts sobre street style, por exemplo.

Também não é possível deixar de citar a sisuda Anna Wintour (foto abaixo), a “editrix” da Vogue US, cuja ambição e oscilações de humor já foram retratadas em inúmeras reportagens, filme (“The Devil Wears Prada“) e documentário (“The September Issue“). Ainda que ela não demonstre a mesma simpatia das suas “coleguinhas” de trabalho, Wintour também é recorrente em posts de blogs especializados e em publicações de moda.

Anna Wintour e o seu já bem conhecido carão: pouca simpatia, mas muito estilo.

Detalhando um pouco mais do estilo das editoras de moda

Para um post que trata das editoras, é mais do que necessário falar um pouco do estilo, tanto pessoal quanto profissional dessas personagens. Vamos começar pela minha preferida: Carine Roitfeld (que me perdoem as demais!).

Carine na i-D Magazine,  capa de seu livro “Irreverent” e no “Baile de Vampiros” organizado por ela.

Carine foi a primeira editora a ser notada por seu estilo pessoal. Sua assinatura “porno-chic” em editoriais como os da Vogue Paris (quando ela foi a editora de moda da revista) marcaram época e seu estilo representava a atitude da própria revista. Exemplos disso? Eu cito aqui três deles, só para exemplificar: a edição de outubro/2010, de dezembro do mesmo ano e a edição comemorativa pelos 90 anos da Vogue francesa. Essas revistas demonstram bem a marca impressa por Carine na Vogue Paris durante o seu reinado como editora de moda da publicação.

Durante a última semana de moda em Paris, ela (como já é de costume) marcou presença em muitos desfiles, sempre arrassando no visual. Durante o evento lançou sua biografia, “Irreverent”, e recebeu uma legião de fãs que queriam mais tirar uma foto com ela do que comprar o livro. Tom Ford criou uma bolsa que leva seu nome, que já promete ser a nova it bag. Ela também é capa da i-D Magazine, e agora vai lançar sua própria revista (fotos acima).

Outra top editora é a irreverente Anna Dello Russo, um fenômeno mais recente. Aos 48 anos, 25 passados na editora Condé Nast, ela sabe como ninguém chamar atenção, com dezenas de looks extravagantes, que ficam no limite entre o divertido e o mal gosto (a exemplo de suas aparições com os chapéus em formato de melancia e de cerejas). Seu guarda roupa já ocupa um apartamento inteiro em Milão. Além disso, Anna tem seu próprio site, desfilou para a H&M, lançou um perfume que leva seu nome, já posou para um editorial exclusivo na W Magazine de novembro/2010 e teve uma boneca Barbie criada em sua homenagem, entre outras atividades (ufa!).

Anna Dello Russo nas ruas e, à direita, em editorial fotografado por Juergen Teller para a W Magazine de novembro/2010.

Por outro lado, há as que são mais low profile, caso de Emmanuelle Alt, atual editora da Vogue Paris. Aos 44 anos, ela quase não usa maquiagem, e ostenta sempre um visual cool e meio que andrógino, muitas vezes mesclando peças super chics, como as jaquetas da Balmain, combinadas a alguma peça de estilo mais “podrinho”, com detalhes rasgados etc. Emmanuelle personifica bem a imagem da parisiense urbana. Em um cargo de alta visibilidade ela não vivencia a fama como um lifestyle, diferentemente das suas colegas de profissão, sobretudo Carine e Dello Russo, mas nem por isso deixa de ser dona de um estilo marcante e bastante marcante, sobretudo entre as mulheres mais jovens.

Emmanuelle Alt, em cliques nas ruas de Paris e seu estilo onde o mínimo é o mais.

A vaidade e o acesso fácil a produtos exclusivos, como peças de desfiles assinadas por marcas de peso por exemplo, colaboram com o fenômeno causado pelas editoras de moda, que enquanto pessoas da vida real acabam por fazer com que o público consumidor acredite que tudo o que elas usam é maravilhoso e que ele mesmo (o público) sendo também formado por pessoas da vida real, pode ter e usar. Isso certamente ajuda as marcas a venderem, tendo nas editoras de moda uma poderosa e influente “vitrine viva” para os seus produtos. E que vitrine, não? É claro que não é a toa que 10 entre 10 estilistas querem ter nas primeiras filas de seus desfiles essas influentes mulheres, pois serão elas que conseguirão (ou não) fazer com que tal marca tenha espaço e brilho nos editoriais de moda das suas revistas, bem como serão elas que vão usar tais roupas, sendo vistas e desejadas em escala mundial.

Fotos: Reprodução

Reflexões sobre o inverno/2011

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Editorial publicado na Vogue Japão, agosto/2011 e o clima sombrio e sexy

As edições de agosto das publicações de moda internacionais já estão começando a dar pinta pela net e nelas já é possível ter uma idéia de como vai ser tratado o inverno/2011. Separei aqui algumas das que mais me agradaram, entre as quais as Vogue Paris, Alemã e Italia.

É possível notar nessas publicações um certo ar sombrio e sexy bem colocado nas imagens. Nada a ver com apelação e excessos, mas tudo a ver com bom gosto e um excelente trabalho de styling, além do próprio clima pesado que dominou a última temporada internacional de moda, sobretudo em Paris. Ilustrando isso vale citar as coleções da Givenchy, Louis Vuitton e Miu Miu e , sobretudo as duas primeiras, nas quais eu destaco a pegada fetichista presente no jogo de mostra e esconde a partir do uso de transparências estrategicamente usadas em detalhes como vimos em alguns looks das coleções daquelas grifes. Ressalto também o aspecto austero, duro e, de certa forma, masculina, em algumas das criações  da Givenchy e Louis Vuitton.

Looks das coleções de inverno/11 da Givenchy (à esquerda) e Louis Vuitton (à direita).

Transparências e couro em um interessante e sexy jogo fetichista

Desfile da coleção de inverno/11 da Louis Vuitton em Paris

Se é verdade que a moda reflete os tempos atuais, é de se compreender o fato de ela não andar assim tão glamourosa, mesmo com o recrudescimento do comércio de artigos de luxo pós crise econômica mundial de 2008, como citam alguns estudos. Mas também, para que pensar em glamour em tempos tão conturbados como os nossos, onde ditaduras de muitas décadas estão sendo destronadas do dia para a noite no Oriente Médio e onde gênios da moda como Galliano caem em desgraça por seus excessos de auto-confiança e pileques?

Não é possível afirmar que tenha sido exatamente pelos motivos expostos acima que a última temporada foi assim tão única, apontando uma possível mudança na moda que de fato não ocorreu, tendo sido apenas sugerida pelos designers nas passarelas. Isso fica de certa forma bem clara quando nos remetemos à Balenciaga de outros tempos e suas formas estruturadas como armaduras, feitas para proteger quem as usasse das instabilidades e dúvidas que permeiam nossa realidade e imaginário na atualidade.

Editorial da Vogue Paris, agosto/2011: boas doses de austeridade e sensualidade

De forma deliciosamente irônica e até com boa dose de crítica, quem de certa forma conseguiu dar umas das mais interessantes interpretações acerca dos dias atuais foi Marc Jacobs na apresentação de sua coleção de inverno/2011. As modelos desfilando com chapéus amarrados por faixas na cabeça, a trilha sonora (Beautiful People, de Marilyn Manson) e o cenário (passarela toda espelhada com colunas alcochoadas em branco), espetacular!

Passando para Milão, se vimos uma grife de peso como a Prada desfilando todos os desejos consumistas femininos (animal prints, tons pastel, peles etc) em uma coleção delicada, cheia de frescor e naturalidade, de outro tivemos estilistas mais interessados em mostrar a dura realidade. À Prada coube a árdua, porém grata tarefa de nos fazer sonhar com um mundo a parte (thanks Miuccia!).

Editorial publicado na Vogue Italia, agosto/2011

Claudia Shiffer com ares de dominatrix em editorial da Vogue Alemã, agosto/2011

A procura por relações (nem sempre óbvias) entre a moda e a realidade é sempre uma tarefa árdua. Em tempos onde a velocidade domina tudo (até nossa forma de ver o mundo), não se deve esperar por novidades. Mais do que nunca a máxima que diz que “nada se cria e tudo se copia” tem feito sentido se aplicada a moda. Então, recriar, dar um novo enfoque àquilo que já fora desfilado em temporadas passadas continua valendo. Se o comprimento de uma saia ou de um vestido está maior agora é porque certamente esteve curto anteriormente, o que não significa dizer que houve uma necessidade imediata de se estabelecer um retorno aos looks mais comportados.

Contudo, para comprovar que nem tudo está perdido, Karl Lagerfeld conseguiu magistralmente traduzir os tempos atuais e os sentimentos. Ao levar para a passarela uma Chanel que desfilou em meio a um cenário sombrio e empoeirado, o kaiser expressou exatamente aquilo que ele afirmou: “o mundo é um lugar sombrio”. É sim monsieur Lagerfeld, o mundo é, ou melhor, tornou-se um lugar sombrio…

Imagens e vídeo: Reprodução

Anna Dello Russo e a sua Barbie

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Como tudo o que diz respeito a Anna Dello Russo e os seus looks pra lá de incríveis sempre dão (e muito) o que falar, mais uma vez a alegre editora chefe da Vogue Nippon e fashionista assumida virou notícia, mas desta vez não exatamente por suas produções, mas pela boneca Barbie criada como uma cópia exata de Anna, com traços e roupas iguais as dela.

A boneca em questão, chamada de “Barbie Anna Dello Russo” foi criada por artistas italianos da empresa Magia 2000, especializada em customizar bonecas, tornando-as cópias de celebridades, tais como Madonna e Beyoncé que já possuem as suas. Esses “mimos” não são comercializados, sendo produzidos exclusivamente para presenterar personalidades famosas, assim, para quem pensa em adquirir uma, só fica a vontade.

 

A Barbie Anna Dello Russo e a própria usando o look Dolce & Gabbana

 

Imagens: Reprodução

Ginta Lapina para a Vogue Nippon abril/2011

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A edição de abril/2011 da Vogue Nippon está, no mínimo, imperdível. Em mais um trabalho assinado pelo festejado diretor criativo Giovanni Bianco, que convidado pela top editora-chefe Anna Dello Russo, soube explorar toda a beleza da modelo Ginta Lapina, a estrela da edição.

Intitulada de “The China Sindrome”, a Vogue japonesa trás a modelo tanto na capa da publicação quanto em um dos principais editoriais, cheio de influências asiáticas em imagens incríveis assinadas por François Nars. Lábios vermelhos e looks com muitas influências orientais assinadas por Alexander McQueen, Louis Vuitton e Balenciaga, entre tantas outras marcas, contribuem para fazer desta uma edição onde o luxo parece começar a conquistar o leitor pelos olhos.