Miuccia Prada parece ter levado à sua passarela feminina de verão 2012 a doçura como a tônica para essa coleção, mas apenas parece, pois é complicado falar em um único foco ou em exatamente na inspiração para as coleções da Prada. O clima de mistério criado, inclusive, pela trilha sonora densa, proporciona a atmosfera perfeita para fazer sonhar e deixar a tdos divagando sobre questões como: sexo/sensualidade, sofisticação/minimalismo, poder/sedução, e, enfim, tantas outras palavras-chave que permearam a minha e certamente as demais cabeças daqueles que viram esta coleção.
Miuccia sempre guarda um carta a mais em suas mangas e nunca entrega assim facilmente aquilo que, de fato, ela pretende apresentar. Penetrar nos domínios dos seu subconsciente é tarefa árdua (impossível? Quem sabe!). Em seus desfiles sempre existem muitas camadas de subjetividade e é necessário um bom (e aprofundado) exercício de interpretação para tentar chegar próximo àquilo que a designer propõe. Mas vamos lá dar uma arriscada acerca das pretensões de Miuccia nesta coleção…
As barrigas de fora e os tops da primeira parte do desfile, a saia lápis kitsch, os acessórios como brincos, cintos e colares, tudo isso leva a crer que a Prada está apresentando “mulheres-objeto” para o verão 2012 (algo que me remeteu de imediato à coleção de verão 2009 da grife).
A coleção, de início, dá a nítida impressão de estar sendo direcionada para um clima mais sexy (too sexy), mas quando você está esperando que os looks fiquem ainda mais sumários, Miuccia dá uma reviravolta e nos presenteia com saisas amplas plissadas, jaquetas de tafetá e bordados, muitos bordados brilhosos e discretamente aplicados em detalhes.
Especulações e críticas à parte, uma coisa é certa, a Prada mais uma vez fez um daqueles desfiles que estão entre os mais esperados na semana de moda de Milão e, agradando ou não, sempre dá (e muito!) o que falar.
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