Continuo com mais um post sobre as campanhas de moda deste ano. As mesmas já foram tema de um post anterior no qual falei de algumas delas, infelizmente não dá para falar de todas e as imagens são tão absurdamente atraentes e interessantes que eu não poderia deixar de mostrá-las aqui.
Pois bem, as últimas campanhas se diferem daquelas às quais estamos acostumados a ver em alguns aspectos, por exemplo: tradicionalmente as modelos são estonteantemente lindas, super bem vestidas, fotografadas em poses esculturais que resultavam em imagens milimetricamente trabalhadas com muito Photoshop. Nas imagens das campanhas de moda para o inverno 2009 as modelos continuam lindas e o Photoshop permanece imbatível na hora de tratar as imagens, contudo, é justamente nas imagens que reside a grande diferença na publicidade de moda dos dias atuais.
Se observarmos os anúncios de inverno das grandes grifes internacionais veremos que uma espécie de estética surrealista, associada a um desejo de causar estranhamento e um certo desconforto é o que permeia as imagens. Algumas instigam, chocam. Outras chegam a ser engraçadas e absurdas (um certo escapismo fashion?). É como que um desejo incontido de prender a atenção do consumidor através de um momento de choque visual.
Observa-se ainda que esta estética “surreal” tem até uma musa (aliás, como tudo na moda tem): Raquel Zimmermann, top que já fotografou ao lado de logotipos gigantes da Fendi e também com frascos de perfume da Gucci, agora aparece em proporções gigantescas entre os arranha-céus de uma metrópole para o anúncio do novo perfume de Viktor & Rolf.
Mais uma singularidade quanto às campanhas atuais diz respeito ao fato de que essa “nova” maneira de ver e de apresentar a moda através das campanhas publicitárias acaba por influenciar, inclusive, marcas que tradicionalmente pouco ousam, tais como a Mulberry.
Abaixo seguem algumas dessas imagens seguidas de um breve comentário acerca das mesmas:

Na campanha do Eau Mega, novo perfurme de Viktor & Rolf, sob vento forte Raquel Zimmermann aparece gigantesca em foto assinada pela dupla Inez & Vinnodh.

Mais vento, mas desta vez sem tanto glamour. A top Hanne Gaby, clicada por Ryan McGinley, equilibra-se sentada sobre a traseira de uma caminhonete para a Missoni.

Para a Alberta Ferretti um forte vento faz o cenário e o cabelo das modelos ficarem esvoaçantes em uma atmosfera meio assustadora e sinistra. Os clics são do incensado Steven Meisel.

Steven Meisel foi também o responsável pelas imagens da atual campanha de inverno 2009 da Mulberry. Aqui novamente o vento mostra a sua força contra as modelos que correm meio que perdidas em um bosque de aspecto sombrio, frio e seco. O confronto entre o luxo/conforto das roupas e acessórios da grife versus a atmosfera do cenário é visível e chama a atenção.

Na campanha de Stella McCartney o bosque é também o cenário para o inverno lisérgico da grife. A fotografia é de Ryan McGinley e nela a top Sigrid Agren contracena com as pueris imagens de Bambi e Cia.

Novamente clicada por Jurgen Teller, que assina as campanhas de Marc Jacobs há 10 coleções, a imagem captura de maneira totalmente inusitada o clima 80’s e street que marcou a coleção inverno 2009 do estilista. Já não é novidade que Marc tem um gosto especial por imagens surpreendentes que fogem dos clichês ou convenções. Sua mais nova campanha é apenas mais um exemplo disso.

Na Givenchy a dupla Mert & Marcus caprichou no bizarro e na estética gótica. O resultado não podia ter sido outro a não ser uma grande quebra com a estética das campanhas de moda tradicionais. O cenário, a pose das modelos, o make up, tudo contribui para esse resultado incrível. Abaixo o padrão!

A nova estética não está resrita somente às campanhas femininas. Para o inverno da Lanvin, Andreas Larsson clicou rapazes cheios de mistério usando máscaras.

E como foi dito acima, o Photoshop continua sendo o queridinho dos editores de imagens e na campanha de inverno da Louis Vuitton a estrela pop Madonna, clicada por Steven Meisel (sempre ele!), aparece com uma mega carga de tratamentos gráficos que a deixaram com o aspecto de uma boneca e com ar digitalizado.

Sombrio e estranhamento, palavras que definem bem a campanha de inverno da Prada. Nessa atmosfera escura as tops mergulharam suas botas em uma espécie de lago com águas negras. O clic é, mais uma vez, de Steven Meisel.
Fotos: Reprodução
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