Karl Lagerfeld no desfile da Chanel, ontem (03.10), homenageou a casa de número 31 da rue Cambon, primeira loja de Chanel em Paris, reproduzida em tamanho natural no majestoso Grand Palais, sob uma passarela pintada de cinza imitando uma avenida parisiense. Nessa “avenida” modelos desfilaram carregando sacolas de compra da grife, em vinil branco ou preto, elas traziam o logo e o endereço da loja (foto ao lado).
Lagerfeld é mestre em reler o acervo da icônica maison e transforma o que é clássico em novos objetos de desejo. A moda de rua da Chanel é baseada no prêt-à-porter, mas com todo o charme e elegância da secular indústria de moda francesa. Espertamente, o kaiser criou no desfile de sua coleção a sua própria rua, ou o seu universo particular – que é também o universo da Chanel – e entrega aos ávidos compradores e editores de moda de todo o mundo mais versões do twin-set, desta vez curtíssimos, com flores bordadas de canutilhos metálicos, xadrezes irregulares e golas e lapelas arredondadas. Lilases e rosinhas contrastam com o elegante preto-e-branco, cores tradicionais da maison.
O desfile da grife apresentou ainda as transparências e os brilhos. As meias-calças em duas cores imitam a bermuda ciclista que as francesas usam no dia-a-dia, sob as saias, nem tanto para aquecer as pernas, mas para estabelecer um novo jogo de proporções. Do meio pro fim do show as formas ampliam-se, em vestidos ciganos, com as modelos carregando violões cobertos por uma capa branca de matelassê com a logo da marca. Injetando um pouco do estilo pessoal de Lagerfeld, os looks são finalizados com as correntes que compõem seu guarda-roupa, assim como os cinco modelos masculinos que entram ao final, cópias do estilista em si, seguidos pelas modelos, sob muitos e demorados aplausos.




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